sábado, 30 de abril de 2011

Pagamento


Voltava para casa, naquele dia
Tudo normal como sempre corria
Porém, passou um frio na espinha
Naquela tarde em que chovia
Um tanto quanto sombria
A temperatura estava amena
Mas era de dentro
Que o frio nascia
Era chegado o momento
De pagar o que devia

O rosto opaco e gélido
Não demonstrava a agonia
Em um sentimento de autorrepulsa
Que a alma remoía
De chorar tinha vontade
Mas lágrima, sem força, não surgia

De quem tanto, na vida, julgou
Agora o destino exigia
Que digerisse o próprio orgulho
Que nas entranhas se retorcia

O fundo do poço está perto
Lembra a mente doentia

Agora, sem pingo de moral
O ditador maioral somente via
A dignidade que desfalecia
Projeto para a vida toda
Naquele momento se esvaia

Pagarás o que deves
Achaste que este momento não chegaria?
Que sirva de lição para a vida
O que acontece neste dia

Engoliu o sangue amargo
Que da própria língua escorria
Teve de mordê-la e sentir o gosto
Que antes não percebia

Dilaceravam a alma
As palavras que ouvia

Não teve jeito
Pagou o que devia

Tem sorte em ser poeta
Te agarras à caneta
Pois somente te restou a poesia
Ademais, apenas cinzas
Que se irão na próxima ventania

Alex Dahlke
30/04/2011


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Axioma LVII

Às vezes me assusto com a força do verbo ter.

Torna-se tão forte que suplanta até o ser.

domingo, 3 de abril de 2011

A luz

No início, uma luz intensa e avassaladora
O cometa
Pensei ser atração

A luz continua e aproxima-se irradiante
O meteoro
Pensei ser paixão

A luz aumenta e surge o calor
A estrela
Pensei ser amor

A luz torna-se fogo que queima e cega
O sol
Era amor

A luz é eterna em seu tempo
É finita em sua eternidade
É luz, é vida
Então acaba. Acabou

Pensei ser atraído
Pensei ter me apaixonado
Pensei ter amado

Enfim
Fui atraído
Me apaixonei
Amei
Vivi