domingo, 25 de novembro de 2012

Minha dor




Quem tem o seu amor,
Conserve
Esta é minha receita
Não sou doutor
Mas quem já perdeu
Sabe do que sofro agora
Desde o dia em que foi embora
Deserto frio é o coração
Deste resto de emoção
Desenhado pela dor
Que desbota, escurece
Quando ouço uma canção
Que remete a minha amada
Então, não há nada
Que impeça o meu pranto
Reluto, disfarço, em vão
Por isso, eu canto:
Quem tem seu amor,
Conserve

Alex Dahlke

Imagem: Google imagens

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cartão postal



Megalópole incandescida
Quanta gente envaidecida
Inebriada na correria
Pelo lusco fusco artificial
Do atropelo do dia a dia

Verdadeira selva de rocha
Onde, já não desabrocha
O velho amor incondicional
Somente a frieza sem par
Em seus caminhos incontáveis
Outrora, terra prometida
Hoje, indústria temida
De homens inexoráveis

Espinha enrijecida
Pela ânsia do capital
Que traz a dor, a doença
Ao corpo mecanizado
Do homem, sempre atrasado
Para o compromisso da vida
Bastante esquecida
Qual garoa do entardecer
Que pertence ao passado
Agora, a vaga lembrança
Do tempo da bonança
Do lindo cartão postal

Alex Dahlke

Foto: Associação Preserva São Paulo

Aprendi a chorar



Em alguma estrada da vida
Desaprendi a amar
Passei a viver com frieza
Vi meu coração gelar
Já não experimentava o calor
Sumiu da face o rubor
Foi-se embora o sentir
Esquecido da arte de chorar

Nem as lágrimas que rolaram
Pelos lindos rostos sinceros
Que em meu caminho cruzaram
Fizeram-me acordar
Do sono de homem duro
Impávido como touro
Que nem mesmo o adeus
O sentimento mais puro
Conseguiram me despertar

Homem de gelo
Peito de rocha
Assim se fez por muito tempo
Até que um dia desabrocha
Uma paixão dourada e ardente
Qual estrela cadente
Que vem para transformar
Surgiu tão de repente
Sem espaço para defesa
Fez da fera sua presa
E cumpriu a missão
Desligou aquela máquina
Minha tese foi ao chão
Com mão suave e voz serena
Rasgou meu coração
Trouxe de volta o calor
A vontade de amar
Aquela linda paixão
Professora, que me ensinou a chorar

Aprendida a lição
Lágrimas que não estancam
Fonte que não se fecha
Envenenado pela flecha
Mudei meu caminhar
Sinto cada passo da vida
E na estrada do amor
Hoje posso em paz andar
Graças àquele dia de verão
Em que aprendi a chorar

Alex Dahlke

Imagem: Google imagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Amor de verão




Não adianta dizer não
Que não pensa em mim
Que não está mais a fim
De viver nossa paixão

Quando pego em sua mão
Sinto sua pele suar
Sinto seu corpo esquentar
Com o fogo do seu coração

Nossa história não foi ilusão
Foi a união de dois seres
Extasiados de prazeres
De amor e de emoção

Deixou de ser mera sensação
Pois nosso amor que dentro nasce
Como o sol que queima a face
Não foi só mais um amor de verão


                                                 Alex Dahlke



Imagem: Google imagens